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Mãe

No próximo domingo (4º Domingo da Páscoa) celebraremos o dia das mães juntamente com um Conclave, que para a Igreja acaba simbolizando a Coroação da Mãe de Deus nos Céus (Rosário - 5º Mistério Glorioso), para um novo tempo. E as leituras do 4º Domingo da Páscoa, vêm nos apresentar esta Igreja do novo tempo, a Igreja do Pastor, que não faz acepção de pessoas... a Igreja de todos que nos falou São Paulo: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. 47Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’” (Atos 13,46-47 - 4º Domingo da Páscoa - 07 mai. 2025). Nos últimos tempos a Igreja vem sofrendo turbulências de fé diante dos apelos do mundo que clama por uma Igreja moderna, cuja liturgia deve ser feita de acordo com os perfis sociais, assim se propõe que a Igreja cultue por exemplo: o deus ...

Recebendo a tua casa

Quando foi que ouvimos Deus falar em nossos corações: "tire as sandálias, porque você está em um lugar sagrado"? Poderíamos responder: muito poucas vezes, talvez nunca tivéssemos ouvidos algo assim, porque também, não sentimos que estamos pisando em algum lugar sagrado. 
Mas, para sabermos se ouvimos, ou não, a voz de Deus, ou, se estamos calcando o solo sagrado com nossos sapatos com cravos, e cravos como os das mãos e dos pés de Jesus na cruz, somos convidados a conhecer o Documento da UNESCO, chamado de Carta da Terra, que vem nos falar da casa, lugar sagrado, em que vivemos:
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está  viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo.
O meio ambiente global com seus recursos finitos uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado (UNESCO, 2021).

Foto: Marcelo Trujillo

A nossa realidade, na maioria das vezes não nos permite prestar atenção na bênção de cada riqueza que a Terra nos oferece a cada instante da vida, diante de tamanha humildade, sem fazer qualquer acepção de pessoa, maus ou bons, ela vem a cada dia, começando pelo Sopro, o ar, depois o ambiente com suas cores e acolhida, depois o sacrifício das plantas, águas, e animais, para o nosso alimento, combinado à Arte harmônica das belezas que se quer paramos para apreciar com nosso coração.
Mas Deus insiste a nos falar até os dias de hoje a nós, ó Teófilo (que quer dizer amigo de Deus): "tire as sandálias, porque este lugar é santo", e, unindo às vozes da Carta da Terra, nesta quaresma às lições dadas pela Campanha da Fraternidade de 2025, também, vem nos falar da nossa casa como lugar sagrado:
A palavra ecologia deriva da palavra grega oikós, que quer dizer “casa”. A ecologia integral se preocupa com todas as nossas “moradas”, começando pela casa-coração, nossa  espiritualidade (DIOCESE DE JUNDIAÍ, 2025, p. 6). 
Será que algum dia seremos capazes de perceber a humildade, a leveza, a simplicidade da Terra, fazendo arder em nós, a mesma chama em nosso caminho, capaz de repetir a sincronia da alma de Moisés com o ambiente em que ele estava:
Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Levou, um dia, o rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia, e disse consigo: 3“Vou aproximar-me desta visão extraordinária, para ver por que a sarça não se consome”. 4O Senhor viu que Moisés se aproximava para observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: “Moisés! Moisés!” Ele respondeu: “Aqui estou”. 5E Deus disse: “Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa” (Êxodo, 3,1-5 - Liturgia Missal - 3º Domingo da Quaresma - Ano C - Ímpar - 23 mar. 2025).
Ao nos deparamos com a experiência de Moisés, poderíamos abrir nossas mentes, e constatar que a mesma terra que formou o Monte Horeb, também hoje, forma os montes que pisamos a cada dia, porque é originada da mesma Palavra, da mesma Sabedoria, e isso cria em nós, o dever de gerar a sincronia com esse fogo, o fogo que pela força do Espírito, forja a Palavra em matéria.
4Tu fazes dos ventos os teus mensageiros,
e das chamas de fogo os teus ministros!
5Assentaste a terra sobre suas bases,
inabalável para sempre e eternamente
[Salmo 103 (104), 4-5)].
No princípio é a Palavra, e pelo Espírito a Palavra criou e continua a criar todas as coisas, que se transformam em fruto, em matéria, provindo da Sabedoria maravilhosa que não muda jamais, por isso, ela É, cuja fonte é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus que É, desde o princípio e para sempre, Eu sou o princípio o meio e o fim, o alfa e o ômega, não muda, sua Palavra é firme para sempre, dentre ela que a Terra terá suas bases firmes para sempre [Salmo 103 (104)].
Mas quase não percebemos isso em nosso cotidiano, talvez, em algum momento de angústia e sofrimento, mas logo esquecemos, a exemplo de Jó, sob o olhar humano, egoísta, de não reconhecer a verdadeira riqueza que o circunda, assim como nós fazemos hoje, ao reclamarmos do calor, ao produzirmos toneladas de lixo, destruímos, exterminamos espécies, como se nós fossemos os senhores da Terra, por isso, o Senhor chamou a atenção de Jó, e, agora, chama a nossa também, a nos dizer:
1Então o Senhor, do meio da tempestade, respondeu a Jó e disse: 2“Quem é esse que escurece o meu projeto com palavras sem sentido? 3Se você é homem, esteja pronto: vou interrogá-lo, e você me responderá.
4Onde você estava quando eu colocava os fundamentos da terra? Diga-me, se é que você tem tanta inteligência! 5Você sabe quem fixou as dimensões da terra? Quem a mediu com a trena? 6Onde se encaixam suas bases, ou quem foi que assentou sua pedra angular, 7enquanto os astros da manhã aclamavam e todos os filhos de Deus aplaudiam?
8Quem fechou o mar com uma porta, quando ele irrompeu, jorrando do seio materno? 9Quando eu coloquei as nuvens como roupas dele e névoas espessas como cueiros? 10Quando lhe coloquei limites com portas e trancas, 11e lhe disse: ‘Você vai chegar até aqui, e não passará. Aqui se quebrará a soberba de suas ondas’?
12Alguma vez em sua vida você deu ordens para o amanhecer, ou marcou um lugar para a aurora, 13a fim de que ela agarre as bordas da terra, e dela sacuda os injustos? 14Por acaso você deu ordens à terra para ela se transformar como argila debaixo do sinete e se tingir como vestido, 15negando luz para os injustos e quebrando o braço que ameaça golpear?
16Você já chegou até as fontes do mar, ou passeou pelas profundezas do oceano? 17Já mostraram a você as portas da morte, ou por acaso você já viu os portais das sombras? 18Você examinou a extensão da terra? Se você sabe tudo isso, me diga
(Jó, 38, 1-18). 
Somo convidados a nos deixar ser invadidos pela graça da Sabedoria, e assim, enxergar a Palavra desde sua fonte e vendo a Sabedoria que constrói como arte a Misericórdia na criação, e poderemos constatar a Terra, como doce fruto da Palavra, responder como uma mãe zelosa por seus filhos, com humildade e bondade ao Projeto de Deus, e do princípio ao fim cantar: sua misericórdia é eterna:
O Senhor é bondoso e compassivo.
– Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! 
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!
– Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.
– O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem [Salmo 102 (103), 1-4.8-9 - Liturgia Missal - 3º Domingo da Quaresma - Ano C - Ímpar - 23 mar. 2025].
Porque agora, a nossa realidade é um pouco diferente, e desprezamos o coração da humildade, para em seu lugar, impor nosso orgulho e autossuficiência, e assim, nos endeusarmos como senhores da terra, e a calcamos e a maltratamos o nosso ambiente, e o vemos sem qualquer valor, por isso, sem vermos o solo sagrado, São Paulo nos pede para tirar as sandálias:
1Irmãos, não quero que ignoreis o seguinte: os nossos pais  estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar; 2todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; 3e todos comeram do mesmo alimento espiritual, 4e todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava – e esse rochedo era Cristo -. 5No entanto, a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto. 6Esses fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair (Coríntios 10, 11-6.10.12 - Liturgia Missal - 3º Domingo da Quaresma - Ano C - Ímpar - 23 mar. 2025).
Mas, se voltássemos para a graciosidade da Terra, com seus animais, suas paisagens, seus santuários, veríamos a grandeza da sua liturgia, do seu ofício diário, responder à Palavra criadora, com um coração manso e humilde a servir as criaturas que dela se sustentam a fim de agradar o seu Criador: "a cada dia da semana Deus cria, por meio da “palavra”, uma parte do universo, dizendo, por exemplo: “Que exista a Luz! E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa” (DIOCESE DE JUNDIAÍ, 2025, p. 7).
 
Se saímos da Terra, como pó, porque não guardamos em nós a memória de sua humildade e mansidão? Será que nos tornamos rebeldes ao ponto de maltratarmos nossa própria mãe, profanar nossa própria casa? Olhamos todo o sofrimento dos biomas e dos animais, das florestas ardendo, todos padecendo pelo que provocamos sem ficar em nós, o menor senso de culpa.
Dizemos sentir, dizemos lamentar, mas não mudamos, não tiramos nossa sandálias, e continuamos a calcar o solo santo, assim vemos que há mais de 2 mil anos, estamos sendo chamados a mudar de caminhos, a enxergar o santuário, e não fazemos conta disso, ainda que, sabendo que uma hora ou outra, o tempo escoa, e podemos perder a oportunidade de mudar de vida enquanto o "Fogo" se deixa mostrar:
1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam.  2Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. 6E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ 8Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”. (Lucas 13,1-9 - Liturgia Missal - 3º Domingo da Quaresma - Ano C - Ímpar - 23 mar. 2025)
Conclusão
De tão simples, com  tanta humildade, tão disponível e acolhedora, a Terra, serva de Deus trabalha diariamente para que nós possamos estarmos vivos, e nós não fazemos conta disso, ao contrário, a desprezamos, a maltratamos, a destruímos, nossa ingratidão não produz em nós qualquer contrição.
Qual o sentido de caminharmos sem esperarmos alcançar a fronteira entre a vida e a morte, para quando no ato final dessa passagem pela Terra, chamados à reconhecê-la como "lugar santo",  já não teremos mais as sandálias para tirar dos pés, porque profanamos o santuário?
Mas ao contrário, se hoje a reverenciarmos nossa Mãe, que nos acolhe como casa, criaremos uma fabulosa sincronia com o fogo que forja a Palavra, e assim como a Terra, nos tornaremos capazes de oferecer nossos serviços para o Projeto de Amor, numa liturgia a cantar: as misericórdias do Senhor eu cantarei eternamente, forjado pelo Fogo Intenso que inspirou Bach na Canta 147, na Palavra viva que constrói e nos alegra e se torna o único desejo da humanidade:

Referências:

DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP - GEM - Grupos Eclesiais Missionários. Quaresma e Campanha da Fraternidade 2025, Ano 4, Ed. 29. Disponível em  https://dj.org.br/wp-content/uploads/2025/02/edicao_29_FINAL.pdf. Acesso em 19 mar. 2025.
UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Carta da Terra, 2021. Disponível em https://earthcharter.org/wp-content/uploads/2021/02/Carta-da-Terra-em-portugues.pdf . Acesso em 18 mar. 2025.  

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