Vivemos no mês de novembro de 2024, a grande frustração mundial com a COP 29, no Azerbaijão, que manteve a indefinição de medidas emergenciais que promovam o restabelecimento da estabilidade do Planeta, no clima, no respeito as demais espécies de vida, e na amizade do homem com o ambiente em que vive, diante do seu completo desrespeito à sua casa, e aos seus próximos das outras espécies.
Em particular, muitos negociadores experientes falaram de sua frustração com o que alguns chamaram de pior COP em uma década.
No meio da reunião, vários líderes climáticos escreveram uma carta pública dizendo que a COP não estava atingindo seus objetivos e pedindo reformas (McGrath, 2024, p.1).
O mundo se vê diante de uma encruzilhada, entre escolher a viver, ou, morrer. Para se encontrar a solução, o problema nos parece não ser causado isoladamente por
ricos, ou pelos pobres, mas sim causado pela humanidade, porque se os ricos produzem ao ponto de estrangular os recursos naturais, vegetais e animais, os pobres consomem ao ponto de saturar a capacidade planetária de processar o lixo.
Portanto é um problema da ética humana, mas, atualmente, para a humanidade, o que menos importa é a ética, visto que o atual sistema urbano, econômico e político global, inspirado no neoliberalismo, é primitivo, cujo seu desenvolvimento global, se limitou ao dois primeiros degraus da Pirâmide de Maslow, que são: o fisiologismo e a segurança, não conseguindo, na atualidade, o desenvolvimento humano necessário para ascender aos degraus mais elevados.
Diante disso vemos o dilema da humanidade na seguinte composição: para os ricos, que estão sem recursos naturais, o fisiologismo e a insegurança os impedem de abrir mão dos seus lucros, e preferem morrerem, a deixar de ganhar dinheiro.
Do outro lado os demais, na cultura do ter, preferem morrerem do que abrir mãos do consumo.
Nisto se encontra o impasse, o que tem menos, quer que o que tem mais, pague a conta, e quem tem mais, quer ter mais, para pagar a conta, o que só agravará o problema.
O sistema planetário chegou no ponto da irreversibilidade, assim, ainda que hoje se tomasse a decisão comum entre os habitantes globais, para um movimento dos níveis mais altos da Pirâmide de Maslow, do social e da estima, já seria tarde, porque o Planeta Terra, contraiu doença, e, é grave, avançando para um estágio terminal.
Mas isso não importa, porque ainda hoje, o sistema primitivo, não conseguiu sentir a insegurança suficiente para levar as pessoas a pagarem qualquer coisas para continuarem vivas, ou, abrirem mão de todo consumo, somente para ter o ar e a água, para viver.
Talvez, se existisse alguém no Planeta, que superou os dois Níveis da Pirâmide, ele chegaria a uma conclusão, próxima disso: a solução saiu do controle humano, e, igual aos parentes do doente grave, que está no melhor hospital do mundo, com a melhor medicina do mundo, percebem a impotência da salvação, porque a cura, de tão grave que está a doença, já não está mais nas mãos dos médicos.
Vendo que a segurança não está no dinheiro, ou, no poder de ter o melhor hospital, o melhor médico, o melhor tratamento, ai caem em si, que nada podem, e, olham para o céu clamando a Deus, "Deus é fiel, cure ele".
Ao clamarem Deus, percebem que há Vida além do ter dinheiro, e do consumir bens, e ai escutam a resposta do Deus, cuja misericórdia é eterna, dizendo: como vêm Me procurar, se a tua própria força é deus?
5Olhem as nações, observem bem! Vocês ficarão admirados e espantados, pois ainda nestes dias eu vou fazer uma coisa que, se alguém contasse, vocês não iriam acreditar. 6Farei com que se levantem os caldeus, povo cruel e impetuoso que percorre a terra inteira, tomando posse de casas que nunca foram deles.
7Ele é terrível e temível; com sua sentença, ele impõe seu direito e vontade. 8Seus cavalos são mais velozes que panteras, mais ariscos que lobos do deserto. Seus cavalos vêm a galope, os cavaleiros apontam lá longe, voando como águia que mergulha sobre a sua presa. 9Eles avançam todos para fazer violência, rosto em frente, amontoando prisioneiros como areia.
E vendo a humanidade na encruzilhada lhe diz:
A terra está profanada debaixo dos pés de seus moradores: eles violaram as leis, mudaram o estatuto e quebraram a aliança eterna. 6Por isso, a maldição devorou a terra, e os seus moradores recebem o castigo; por isso, a população da terra desapareceu, e poucos são os que restam.
Mas eu digo: “Infeliz de mim! Infeliz de mim! Ai de mim!” Os traidores traíram, tramaram traições. 17Terror, buraco e laço é o que espera você, morador da terra. 18Quem fugir do grito de terror, acabará caindo no buraco; se for capaz de sair do fundo do buraco, será pego no laço. Pois as comportas do céu se abrirão e a terra tremerá na base. 19A terra será toda arrasada, a terra será sacudida violentamente, a terra será fortemente abalada. 20A terra cambaleará como bêbado, balançará como tenda. Sua culpa lhe pesará nas costas, ela cairá e nunca mais se levantará (Is 24, 5-6.16-20).
Aqueles que vivem o sistema primitivo vão dizer, como Deus sendo misericordioso, age assim com a humanidade?
Talvez, aqueles que conseguiram alcançar os níveis da estima, e autorealização da Pirâmide de Maslow, tenha uma resposta mais ou menos assim, a Vida é Espírito, isto é, é como no degrau da autoestima, se tem, o amor, você sabe que existe, está em cada ser, mas não é possível vê-lo materialmente, e muito menos dominá-lo.
O Sistema primitivo, acorrentado aos degraus do fisiologismo e segurança, repudia tudo o que não pode ser visto, como por exemplo, a Vida em Espírito, que está no nível do degrau social, da autoestima e autorealização.
Assim, o que traz as Palavras do Profeta Isaías acima, é: aqueles que recusam o Espírito, não pertencem ao Espírito, e o Reino de Deus, onde repousa a Vida, é Espírito, por isso, aqueles, se tiver algum, que estão em degraus a partir do social, estima e auto-realização, é como se pertencessem a um Reino diferente do Reino do Sistema Global neoliberal.
Essa conclusão é embasada no diálogo entre o Cristo e o Governador Pôncio Pilatos, cuja governancia não difere do sistema atual neoliberal, pois era limitado ao fisiologismo e a segurança, excluindo a Vida em Espírito, nas seguintes premissas:
33b Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe:
"Tu és o rei dos judeus?"
34Jesus respondeu:
"Estás dizendo isto por ti mesmo,
ou outros te disseram isto de mim?"
35Pilatos falou:
"Por acaso, sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes
te entregaram a mim.
Que fizeste?".
36Jesus respondeu:
"O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo,
os meus guardas lutariam
para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui" (Jo, 18, 33b-36 - Liturgia Missal -Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristio - Rei do Universo - Encerramento do Ano Canônico - 24/11/2024).
E, também, do diálogo entre os Saduceus e Jesus, quando questionaram Jesus sobre a mulher que casou e enviuvou de 7 irmãos, e, pensando que no céu é como o reino fisiologista e seguro, perguntaram de qual irmão ela seria a mulher legítima.
Jesus, antecedendo a resposta à Pilatos, respondeu, esclarecendo que a Vida em Espírito, é diferente do que se pensa ser vida pela humanidade, porque ela hoje, está sob a ilusão da visão material, do se tocar, e assim se assegurar, ou, se ter segurança pelo domínio humano sobre o que se vê:
Jesus respondeu aos saduceus:
"Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se,
35 mas os que forem julgados dignos
da ressurreição dos mortos
e de participar da vida futura,
nem eles se casam nem elas se dão em casamento;
36 e já não poderão morrer,
pois serão iguais aos anjos,
serão filhos de Deus, porque ressuscitaram (Lc 22,34-36 - Liturgia Missal do 33ª Semana do Tempo Comum - Ano B, 23/11/2024 - Sábado).
Conclusão
A humanidade atual, e as criaturas que vivem no Planeta Terra não têm para onde correr, pois a solução saiu das mãos dela, por isso, hoje, diante da encruzilhada só lhe restará como única solução, o proposto por Moisés:
Moisés falou ao povo dizendo:
15 "Vê que eu hoje te proponho
a vida e a felicidade,
a morte e a desgraça.
18 eu vos anuncio hoje que certamente perecereis.
Não vivereis muito tempo na terra onde ides entrar,
depois de atravessar o Jordão, para ocupá-la.
19 Tomo hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós
de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição.
Escolhe, pois, a vida,
para que vivas, tu e teus descendentes,
20 amando ao Senhor teu Deus,
obedecendo à sua voz e apegando-te a ele
a fim de que habites na terra
que o Senhor jurou dar a teus pais,
Abraão, Isaac e Jacó" (Dt 11,18.18-20 - Liturgia Missal - Quinta Feira depois das Cinzas - Ano B, 15/02/2024).
Depois disso, se a sua decisão for pelo fisiologismo e segurança de tentar salvar a própria vida, talvez esteja escolhendo errado, porque se tenta salvá-la pelo deus da tua própria força, é grande a chance de perdê-la, ao passo que, se confiar que o controle não está mais nas tuas mãos, e resgatar o compromisso com a Aliança de Abrahão, poderá se surpreender com a boa notícia de que há Vida, e Vida em abundante Espírito, fora do controle de tuas mãos, porque você está "são e salvo" enquanto tudo está desmoronando (alive and kicking - Simple Minds).
Referências:
McGrath, Matt. Acordo histórico, mas será suficiente? 5 conclusões de uma COP29 dramática. In BBC News Brasil. Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cyv7zye438lo. Acesso em 27 nov. 2024.

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