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Mãe

No próximo domingo (4º Domingo da Páscoa) celebraremos o dia das mães juntamente com um Conclave, que para a Igreja acaba simbolizando a Coroação da Mãe de Deus nos Céus (Rosário - 5º Mistério Glorioso), para um novo tempo. E as leituras do 4º Domingo da Páscoa, vêm nos apresentar esta Igreja do novo tempo, a Igreja do Pastor, que não faz acepção de pessoas... a Igreja de todos que nos falou São Paulo: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. 47Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’” (Atos 13,46-47 - 4º Domingo da Páscoa - 07 mai. 2025). Nos últimos tempos a Igreja vem sofrendo turbulências de fé diante dos apelos do mundo que clama por uma Igreja moderna, cuja liturgia deve ser feita de acordo com os perfis sociais, assim se propõe que a Igreja cultue por exemplo: o deus ...

Igreja: iminência da destruição

Como católico, praticante e pecador, temos escutados de longa data, que a Igreja Católica tem sofrido ataques para a sua destruição, e isso, sempre nos levou para a visão de um inimigo externo, mas, o que nunca tínhamos visto antes, e, agora, como na Guerra de Tróia,  testemunhamos, é a existência dentro de si própria, de pessoas não vestidas adequadamente para o banquete,  como se estivesse na iminência de uma implosão.

Não temos dúvida de que Deus, tem uma paixão imensurável pela Igreja Católica, de que Ela é parte de um projeto fundamental para a salvação da humanidade:

Que sejam sessenta as rainhas,
e oitenta as concubinas,
e as donzelas... sem conta:
 

uma só é a minha pomba
sem defeito,
uma só a preferida
pela mãe que a gerou
(Ct 6,8-9).

E, diante de tanta beleza e esplendor, seus inimigos a exemplo de Páris de Tróia, querem tomá-la para si, e seduziram-na, para que se deixasse ser raptada, como fez Helena de Tróia, por livre e espontânea vontade.

E, assim, ela como uma bela Torre na orla do mar, passou a sofrer as interpéries  do sal insosso, que criou nela a ferrugem, comprometendo a beleza da sua aparência:

 

E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para


cair sobre vós. Vossa riqueza está apodrecendo, e vossas roupas estão carcomidas pelas traças. Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem deles vai servir de testemunho contra vós e devorar vossas carnes, como fogo
! (Tg 5,1-3 Liturgia Missal 7ª Semana do Tempo Comum Ano B - Quinta-feira - 23/05/2024).

Isso inevitavelmente nos conduz à Parábola do Senhor, quando ao referir-se à sua Igreja como o "Reino dos Céus", sobre a praga que a importuna, deixou para nós:

Naquele tempo, Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’

O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’

O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”
(Mt 13,24-30, Liturgia Missal 16ª Domingo do Tempo Comum - Ano B - 21/07/2024).

Assim, quando se ouve falar mal da Igreja Católica, externamente, o que se vê é que referem-se a fatos, verdadeiros, mas, generalizados, praticados pela igreja infiel, como abusos sexuais de crianças por clérigos, sodomia nos seminários, corrupção de clérigos, profanação pervertida no altar, arrogância ao se falar de pobreza, imitando hipocritamente o gozo luxuoso dos politiqueiros, mostrando assim, como joio, a sua helênica sedução pelas coisas do mundo, e por isso, não fazem a vontade do seu Senhor, provocando a Ira de Deus narrada por Amós:

Isto diz o Senhor: “Pelos três crimes de Israel, pelos seus quatro crimes, não retirarei a palavra: porque eles vendem o justo por dinheiro e o indigente pelo preço de um par de chinelos; pisam, na poeira do chão, a cabeça dos pobres, e impedem o progresso dos humildes; filho e pai vão à mesma mulher, profanando meu santo nome; deitando-se junto a qualquer altar, usando roupas que foram entregues em penhor, bebem vinho à custa de pessoas multadas, na casa de Deus.

Entretanto, eu tinha aniquilado, diante deles, os amorreus, homens espadaúdos como cedros e robustos como carvalhos, destruindo-lhes os frutos na ramada e arrancando-lhes as raízes. Fui eu que vos fiz sair da terra do Egito e vos guiei pelo deserto, durante quarenta anos, para ocupardes a terra dos amorreus.

Pois bem, eu vos calcarei aos pés, como calca o chão a carroça carregada de feixes; o mais ágil não conseguirá fugir, o mais forte não achará força, o valente não salvará a vida; o arqueiro não resistirá de pé, o corredor veloz não terá pernas para escapar, nem se salvará o cavaleiro; o mais corajoso dentre os corajosos fugirá nu, naquele dia”, diz o Senhor
(Am 2,6-10.13-16, Liturgia Missal 13ª Semana do Tempo Comum - Ano B - Segunda Feira - 01/07/2024).

          E, então parece ouvirmos gritos e ranger de dentes, diante do Senhor:

Naquele tempo, disse Jesus: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?’
E, no entanto, eu lhes direi: ‘Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!’
(Mt 7,21-23, Liturgia Missal 12ª Semana do Tempo Comum - Ano B - Quinta-feira - 27/06/2024).

 E o que vemos é que estamos na iminência da Ira: Ai de nós, católicos e pecadores.

O Senhor, o Deus dos deuses, fala,
convocando a terra, do nascente ao poente.

De Sião, a formosa, Deus resplandece:

o nosso Deus vem, e não vai se calar.
À sua frente, vem um fogo devorador,
e, ao seu redor, tempestade violenta.

Do alto ele convoca céu e terra
para julgar o seu povo:

“Reúnam junto a mim os meus fiéis,
que selaram minha aliança com sacrifício!”

Que o céu proclame a sua justiça,
pois o próprio Deus vai julgar..

— “Ouça, meu povo, que eu vou falar a você,
Israel, eu vou testemunhar contra você.
Eu sou Deus, o seu Deus!

Ao injusto, porém, Deus declara:
“De que adianta você recitar meus preceitos
e ter sempre na boca a minha aliança,

se você detesta a disciplina
e rejeita as minhas palavras?

Se você vê um ladrão, você o acompanha
e se mistura com os adúlteros.

Você solta sua boca para o mal,
e seus lábios tramam a fraude.

Você se assenta para falar contra o seu irmão,
e desonra o filho de sua mãe.

Você se comporta assim, e eu devo me calar?
Você imagina que eu seja como você?
Eu o acuso e coloco tudo diante dos seus olhos!”

Considerem isso, vocês que se esquecem de Deus.
Senão, eu vou dilacerar vocês, e ninguém os libertará!
[
Sl 49 (50)  1-7.16-22, Cf. Liturgia Missal 8ª Semana do Tempo Comum - Ano A - Terça-feira - 30/05/2023].

     Mas, mesmo diante de tantos apelos, vemos a Igreja voltada para a sua arrogância, a dizer que está protegida, mesmo praticando o mal, porque as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela, e cheio de orgulho diz, "Deus não verá isso contra ela", e o servo do Senhor clama:

Esmigalhando-me os ossos,
meus opressores me insultam,
perguntando todo dia:
“Onde está o seu Deus?
[Sl 41(42), 11].

E o Senhor diante da ruína, deixa aos fiéis, a promessa da ressurreição da sua Igreja sob as duas colunas testemunhais de Pedro e Paulo:

Disseram a mim, João: "Essas duas testemunhas são as duas oliveiras e os dois candelabros, que estão diante do Senhor da terra.
Se alguém quiser fazer-lhes mal, um fogo sairá da boca delas e devorará seus inimigos. Sim, se alguém quiser fazer-lhes mal, é assim que vai morrer.
Elas têm o poder de fechar o céu, de modo que não caia chuva alguma enquanto durar a sua missão profética.
Elas têm também o poder de transformar as águas em sangue.
E quantas vezes elas quiserem, podem ferir a terra com todo tipo de praga.
Quando elas terminarem o seu testemunho, a besta que sobe do Abismo vai combater contra elas, vai vencê-las e matá-las.
E os cadáveres das duas testemunhas vão ficar expostos na praça da grande cidade, que se chama, simbolicamente, Sodoma e Egito, e na qual foi crucificado também o Senhor delas.
Gente de todos os povos, raças, línguas e nações, verão seus cadáveres durante três dias e meio, e não deixarão que os corpos sejam sepultados.
Os habitantes da terra farão festa pela morte das testemunhas;
felicitar-se-ão e trocarão presentes, pois estes dois profetas estavam incomodando os habitantes da terra".
Depois dos três dias e meio, um sopro de vida veio de Deus, penetrou nos dois profetas e eles ficaram de pé.
Todos aqueles que os contemplavam, ficaram com muito medo.
Ouvi então uma voz forte vinda do céu e chamando os dois:
"Subi para aqui!" Eles subiram ao céu, na nuvem,
enquanto os inimigos ficaram olhando
(Ap, 11,4-12, Liturgia Missal 33ª, Semana do Tempo Comum - Ano B - Sábado - 23/11/2024).

 Conclusão

Muitos talvez perguntarão, mas será isso verdade? Ou, como Deus pode fazer isso com a Igreja? A resposta para isto é que o homem sempre abusou da misericórdia de Deus, ao ponto de acreditar que Deus sempre perdoará as nossas faltas, porque ele muito nos ama, esquecendo que para isso, precisamos ter a nossa iniciativa de fidelidade com a Aliança Eterna, o que nos torna como ovelhas levada diariamente ao cativeiro para abraçar o sacrifício da Cruz.

A Igreja dentro dessa mesma ideia de que tudo se tolera, assim, como fizeram os fariseus no tempo de Jesus, já não tem mais zelo pela Palavra, e, sentindo-se segura em sua zona de conforto, isolada pelos muros das mitras e dos condomínios paroquiais, não deram créditos às advertência de Deus, achando que era brincadeira, e vivendo contaminada gravemente pela acídia ou acédia, que a tornou néscia, e transformou o culto em meros ritos sacramentalísticos:

A acedia, tratada pela Doutrina Católica como o sétimo pecado capital (Catecismo, n. 1866), (...) a acedia revela-se como uma espécie de tristeza ou melancolia, um amargor que invade o espírito e o afasta dos bens espirituais. Esta tristeza não é apenas prejudicial por si só, mas também é a origem de vários outros males, levando a atitudes extremas de ativismo frenético ou apatia total.  
(...)

Em uma época marcada pelo desencanto, o vício capital da acedia emerge como um mal-estar silencioso e profundo, que impede a vivência plena da espiritualidade como fonte de alegria. Conhecida tradicionalmente como preguiça, a acedia, segundo a sabedoria dos antigos Padres do Deserto, vai muito além da simples inatividade, manifestando-se como uma “falta de cuidado” que penetra profundamente na alma humana.

A acedia, descrita pelos padres do deserto como o “demônio do meio-dia”, captura suas vítimas em momentos de vulnerabilidade, levando-as a um estado de aversão por tudo o que antes lhes proporcionava prazer e satisfação espiritual. 

Esta tentação insidiosa abate o espírito com um desejo de morte, tornando a relação com Deus e as práticas espirituais, antes vivificantes, agora experimentadas como tediosas e inúteis. Em sua essência, a acedia é uma crise de sentido, em que a vida e a fé perdem seu sabor e propósito, arrastando o indivíduo para um abismo de desespero e apatia (DOM CARDOSO, 2024, p.1)

      A acédia é invisível, tanto quanto é o joio dentro da Igreja, que o Senhor destruirá, aqueles que dizem com a boca cheia de males, Deus não fará isso, ele é bonzinho, ou, onde está o teu Deus? Teremos como resposta:

"Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto:
para dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade
escuta a minha voz".
(Jo 18,37, Liturgia Missal  Solenidade de Cristo Rei - Ano B - 24/11/2024

    E a Igreja seduzida, que quer substituir Pedro e Paulo, dizendo ser pedra, rolará (Bob Dylan: like a rolling stone), ficando abandonada para viver por sua própria conta, como uma estranha para Deus: 


Referências.

CARDOSO, Dom João Santos, Arcebispo de Natal. O desafio silencioso da Acedia na Espiritualidade. In Artigo - CNBB online. Disponível em https://www.cnbb.org.br/o-desafio-silencioso-da-acedia-na-espiritualidade/. acesso em 23 nov. 2024.

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