Como católico, praticante e pecador, temos escutados de longa data, que a Igreja Católica tem sofrido ataques para a sua destruição, e isso, sempre nos levou para a visão de um inimigo externo, mas, o que nunca tínhamos visto antes, e, agora, como na Guerra de Tróia, testemunhamos, é a existência dentro de si própria, de pessoas não vestidas adequadamente para o banquete, como se estivesse na iminência de uma implosão.
Não temos dúvida de que Deus, tem uma paixão imensurável pela Igreja Católica, de que Ela é parte de um projeto fundamental para a salvação da humanidade:
Que sejam sessenta as rainhas,
e oitenta as concubinas,
e as donzelas... sem conta:
uma só é a minha pomba
sem defeito,
uma só a preferida
pela mãe que a gerou (Ct 6,8-9).
E, diante de tanta beleza e esplendor, seus inimigos a exemplo de Páris de Tróia, querem tomá-la para si, e seduziram-na, para que se deixasse ser raptada, como fez Helena de Tróia, por livre e espontânea vontade.
E, assim, ela como uma bela Torre na orla do mar, passou a sofrer as interpéries do sal insosso, que criou nela a ferrugem, comprometendo a beleza da sua aparência:
E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para
cair sobre vós. Vossa riqueza está apodrecendo, e vossas roupas estão carcomidas pelas traças. Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem deles vai servir de testemunho contra vós e devorar vossas carnes, como fogo! (Tg 5,1-3 Liturgia Missal 7ª Semana do Tempo Comum Ano B - Quinta-feira - 23/05/2024).
Isso inevitavelmente nos conduz à Parábola do Senhor, quando ao referir-se à sua Igreja como o "Reino dos Céus", sobre a praga que a importuna, deixou para nós:
Naquele tempo, Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’
O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’
O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’” (Mt 13,24-30, Liturgia Missal 16ª Domingo do Tempo Comum - Ano B - 21/07/2024).
Assim, quando se ouve falar mal da Igreja Católica, externamente, o que se vê é que referem-se a fatos, verdadeiros, mas, generalizados, praticados pela igreja infiel, como abusos sexuais de crianças por clérigos, sodomia nos seminários, corrupção de clérigos, profanação pervertida no altar, arrogância ao se falar de pobreza, imitando hipocritamente o gozo luxuoso dos politiqueiros, mostrando assim, como joio, a sua helênica sedução pelas coisas do mundo, e por isso, não fazem a vontade do seu Senhor, provocando a Ira de Deus narrada por Amós:
Isto diz o Senhor: “Pelos três crimes de Israel, pelos seus quatro crimes, não retirarei a palavra: porque eles vendem o justo por dinheiro e o indigente pelo preço de um par de chinelos; pisam, na poeira do chão, a cabeça dos pobres, e impedem o progresso dos humildes; filho e pai vão à mesma mulher, profanando meu santo nome; deitando-se junto a qualquer altar, usando roupas que foram entregues em penhor, bebem vinho à custa de pessoas multadas, na casa de Deus.
Entretanto, eu tinha aniquilado, diante deles, os amorreus, homens espadaúdos como cedros e robustos como carvalhos, destruindo-lhes os frutos na ramada e arrancando-lhes as raízes. Fui eu que vos fiz sair da terra do Egito e vos guiei pelo deserto, durante quarenta anos, para ocupardes a terra dos amorreus.
Pois bem, eu vos calcarei aos pés, como calca o chão a carroça carregada de feixes; o mais ágil não conseguirá fugir, o mais forte não achará força, o valente não salvará a vida; o arqueiro não resistirá de pé, o corredor veloz não terá pernas para escapar, nem se salvará o cavaleiro; o mais corajoso dentre os corajosos fugirá nu, naquele dia”, diz o Senhor (Am 2,6-10.13-16, Liturgia Missal 13ª Semana do Tempo Comum - Ano B - Segunda Feira - 01/07/2024).
E, então parece ouvirmos gritos e ranger de dentes, diante do Senhor:
Naquele tempo, disse Jesus: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?’
E, no entanto, eu lhes direi: ‘Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!’ (Mt 7,21-23, Liturgia Missal 12ª Semana do Tempo Comum - Ano B - Quinta-feira - 27/06/2024).
E o que vemos é que estamos na iminência da Ira: Ai de nós, católicos e pecadores.
O Senhor, o Deus dos deuses, fala,
convocando a terra, do nascente ao poente.
De Sião, a formosa, Deus resplandece:
o nosso Deus vem, e não vai se calar.
À sua frente, vem um fogo devorador,
e, ao seu redor, tempestade violenta.
Do alto ele convoca céu e terra
para julgar o seu povo:
“Reúnam junto a mim os meus fiéis,
que selaram minha aliança com sacrifício!”
Que o céu proclame a sua justiça,
pois o próprio Deus vai julgar..
— “Ouça, meu povo, que eu vou falar a você,
Israel, eu vou testemunhar contra você.
Eu sou Deus, o seu Deus!
Ao injusto, porém, Deus declara:
“De que adianta você recitar meus preceitos
e ter sempre na boca a minha aliança,
se você detesta a disciplina
e rejeita as minhas palavras?
Se você vê um ladrão, você o acompanha
e se mistura com os adúlteros.
Você solta sua boca para o mal,
e seus lábios tramam a fraude.
Você se assenta para falar contra o seu irmão,
e desonra o filho de sua mãe.
Você se comporta assim, e eu devo me calar?
Você imagina que eu seja como você?
Eu o acuso e coloco tudo diante dos seus olhos!”
Considerem isso, vocês que se esquecem de Deus.
Senão, eu vou dilacerar vocês, e ninguém os libertará![Sl 49 (50) 1-7.16-22, Cf. Liturgia Missal 8ª Semana do Tempo Comum - Ano A - Terça-feira - 30/05/2023].
Mas, mesmo diante de tantos apelos, vemos a Igreja voltada para a sua arrogância, a dizer que está protegida, mesmo praticando o mal, porque as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela, e cheio de orgulho diz, "Deus não verá isso contra ela", e o servo do Senhor clama:
Esmigalhando-me os ossos,
meus opressores me insultam,
perguntando todo dia:
“Onde está o seu Deus? [Sl 41(42), 11].
E o Senhor diante da ruína, deixa aos fiéis, a promessa da ressurreição da sua Igreja sob as duas colunas testemunhais de Pedro e Paulo:
Disseram a mim, João: "Essas duas testemunhas são as duas oliveiras e os dois candelabros, que estão diante do Senhor da terra.
Se alguém quiser fazer-lhes mal, um fogo sairá da boca delas e devorará seus inimigos. Sim, se alguém quiser fazer-lhes mal, é assim que vai morrer.
Elas têm o poder de fechar o céu, de modo que não caia chuva alguma enquanto durar a sua missão profética.
Elas têm também o poder de transformar as águas em sangue.
E quantas vezes elas quiserem, podem ferir a terra com todo tipo de praga.
Quando elas terminarem o seu testemunho, a besta que sobe do Abismo vai combater contra elas, vai vencê-las e matá-las.
E os cadáveres das duas testemunhas vão ficar expostos na praça da grande cidade, que se chama, simbolicamente, Sodoma e Egito, e na qual foi crucificado também o Senhor delas.
Gente de todos os povos, raças, línguas e nações, verão seus cadáveres durante três dias e meio, e não deixarão que os corpos sejam sepultados.
Os habitantes da terra farão festa pela morte das testemunhas;
felicitar-se-ão e trocarão presentes, pois estes dois profetas estavam incomodando os habitantes da terra".
Depois dos três dias e meio, um sopro de vida veio de Deus, penetrou nos dois profetas e eles ficaram de pé.
Todos aqueles que os contemplavam, ficaram com muito medo.
Ouvi então uma voz forte vinda do céu e chamando os dois:
"Subi para aqui!" Eles subiram ao céu, na nuvem,
enquanto os inimigos ficaram olhando (Ap, 11,4-12, Liturgia Missal 33ª, Semana do Tempo Comum - Ano B - Sábado - 23/11/2024).
Conclusão
Muitos talvez perguntarão, mas será isso verdade? Ou, como Deus pode fazer isso com a Igreja? A resposta para isto é que o homem sempre abusou da misericórdia de Deus, ao ponto de acreditar que Deus sempre perdoará as nossas faltas, porque ele muito nos ama, esquecendo que para isso, precisamos ter a nossa iniciativa de fidelidade com a Aliança Eterna, o que nos torna como ovelhas levada diariamente ao cativeiro para abraçar o sacrifício da Cruz.
A Igreja dentro dessa mesma ideia de que tudo se tolera, assim, como fizeram os fariseus no tempo de Jesus, já não tem mais zelo pela Palavra, e, sentindo-se segura em sua zona de conforto, isolada pelos muros das mitras e dos condomínios paroquiais, não deram créditos às advertência de Deus, achando que era brincadeira, e vivendo contaminada gravemente pela acídia ou acédia, que a tornou néscia, e transformou o culto em meros ritos sacramentalísticos:
A acedia, tratada pela Doutrina Católica como o sétimo pecado capital (Catecismo, n. 1866), (...) a acedia revela-se como uma espécie de tristeza ou melancolia, um amargor que invade o espírito e o afasta dos bens espirituais. Esta tristeza não é apenas prejudicial por si só, mas também é a origem de vários outros males, levando a atitudes extremas de ativismo frenético ou apatia total.
(...)
Em uma época marcada pelo desencanto, o vício capital da acedia emerge como um mal-estar silencioso e profundo, que impede a vivência plena da espiritualidade como fonte de alegria. Conhecida tradicionalmente como preguiça, a acedia, segundo a sabedoria dos antigos Padres do Deserto, vai muito além da simples inatividade, manifestando-se como uma “falta de cuidado” que penetra profundamente na alma humana.
A acedia, descrita pelos padres do deserto como o “demônio do meio-dia”, captura suas vítimas em momentos de vulnerabilidade, levando-as a um estado de aversão por tudo o que antes lhes proporcionava prazer e satisfação espiritual.
Esta tentação insidiosa abate o espírito com um desejo de morte, tornando a relação com Deus e as práticas espirituais, antes vivificantes, agora experimentadas como tediosas e inúteis. Em sua essência, a acedia é uma crise de sentido, em que a vida e a fé perdem seu sabor e propósito, arrastando o indivíduo para um abismo de desespero e apatia (DOM CARDOSO, 2024, p.1)
A acédia é invisível, tanto quanto é o joio dentro da Igreja, que o Senhor destruirá, aqueles que dizem com a boca cheia de males, Deus não fará isso, ele é bonzinho, ou, onde está o teu Deus? Teremos como resposta:
"Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto:
para dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade
escuta a minha voz".(Jo 18,37, Liturgia Missal Solenidade de Cristo Rei - Ano B - 24/11/2024
E a Igreja seduzida, que quer substituir Pedro e Paulo, dizendo ser pedra, rolará (Bob Dylan: like a rolling stone), ficando abandonada para viver por sua própria conta, como uma estranha para Deus:
Referências.
CARDOSO, Dom João Santos, Arcebispo de Natal. O desafio silencioso da Acedia na Espiritualidade. In Artigo - CNBB online. Disponível em https://www.cnbb.org.br/o-desafio-silencioso-da-acedia-na-espiritualidade/. acesso em 23 nov. 2024.

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