No briefing da 3ª Semana do Advento, vivemos o convite para conhecer a Vila da Boa Esperança, e, quem sabe, construímos lá a nossa casa aconchegante que nos espera com o café quentinho e o amor que nos abraça, por isso, o tema de hoje é o nosso aconchego, o nosso ambiente.
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| Foto: Martino Phúc |
A capacidade genuína da humanidade de se adaptar ao ambiente, é fator que a torna algo muito peculiar no Universo. No entanto, esse dom de adaptabilidade está diretamente ligada às interações dela com o ambiente, capaz de mudar o ambiente, ao ponto de ser marcada na história como Era Antropoceno.
Isso, também, provocou nela uma crise existencial gravíssima, porque hoje ela se encontra em um vácuo, nas profundezas escuras de um abismo, tentando descobrir se ela é uma lagarta, ou, ela é uma borboleta, pois, a humanidade inventou tanta parafernália, numa velocidade ultra rápida mediante a realização insana de consumo, que como o glutão que come tudo de uma vez, e fica enfastiado, ela quebrou sua capacidade de absorver o ambiente, parou de interagir, e desenvolver o seu dom de adaptabilidade, aproximando-se de um colapso.
Essa crise começou a agravar nós últimos 600 anos, porque a humanidade, como um jovem rebelde que acaba de completar a sua maioridade, e cheia de vaidade, diz para o pai "eu agora vou seguir minha vida, por mim mesmo".
Para entendermos este rompimento com a família, precisamos voltar nas memórias de nossos DNA's ancestral, para o relógio biológico de aproximadamente 6000 anos atrás, quando, começando a engatinhar, e como uma criança que tem o pirulito roubado, nós fomos induzidos a nos rebelarmos.
Nossos ancestrais tiveram uma experiência maravilhosa no Espírito, quando lhes foi revelado o tipo de alimento saudável para a sua vida, e o alimento que o mata, e ali foi mostrado para eles a Árvore da Sabedoria, onde reside a vida, que se, se alimentassem dela, se tornariam administradores do próprio ambiente, porque desenvolveriam a Arte da equidade, no sentido de se viver uma justiça perfeita.
E, também, mostrou-lhes a Árvore do Pensamento, onde reside a Ciência, e lhes proibiu de se alimentar dos pensamentos, porque ao se alimentar deles, o ser passa a sofrer de efeitos alucinógenos, desprezam a Sabedoria, gerando um forte sentimento de vaidade, disfarçada de amor próprio, que o ilude na falsa sensação de ser capaz de conquistar o mundo, os céus e a terra, regado por um molho de egoísmo e egocentrismo.
Enganado, e, cheio de ilusão, não conseguiu produzir a Arte equânime, porque vazio de sabedoria alcançou somente o Artefato, que quer dizer Artificial, cujo o efeito quase sempre é nocivo, por exemplo, a Arte da Água, substituída pelo artificialismo do refrigerante, que mata pelo câncer e diabetes, a Arte do Ar que produz vida, substituída pelo artificialismo do cigarro, que por falta de espaço deixamos de enumerar os males, a Arte da equidade de Amar, substituída pelo artificialismo iníquo do se drogar, beber, e até roubar e matar, sob o desespero de se alucinar tentando saciar o vazio interior, assim se a Arte é equânime, o Artificial é iníquo, isto é, sem equidade, sem justiça, porque quando a humanidade produz equidade, ela produz Arte, elevando o humano ao grau de divino.
Assim, na mesma experiência hexa milenar de nossos ancestrais, ao ser lhes dado o dom da equidade, também foi lhe atribuído o título de humanidade que o diferencia de todas as outras espécies, e ao produzir por suas próprias mãos, algo equânime, por se aproximar tanto do natural, que o artefato, perde o fato e se transforma em Arte, como a sonda Voyager por exemplo.
Mas, a humanidade optou, por viver por si mesma, e transloucada, passou a se alimentar somente da Árvore da Ciência, e rejeitou a Árvore da Vida, o que criou um vácuo no ambiente, pois ela não possui mais em si, dom de humanidade porque não tem a equidade, ao mesmo tempo, não regrediu para a natureza das demais espécies, não sendo nem um, nem outro, que alguns chamam de lobisomem, mas acreditamos que isso ofenderia os lobos, que são puros.
Assim, a humanidade carrega pesadas correntes, e perdeu tanto a sua dignidade que, mesmo se descesse do Céu São Miguel, e falasse para ela levanta, te tão sofrida, te tão maltratada que se vê, que ela não tem forças mais para ficar de pé, parece fadada à morte, mesmo sabendo que se quiser agora, poderia voltar para a casa, nos lembrando a canção de Zé Geraldo, Reciclagem:
Meu companheiro, que sai de casa e na vida e na vida cai, com as cacetadas destes anos todos, eu fiquei mais velho que meu velho pai.
Mas surpreendentemente, agora os amigos que um dia visitaram nossos Ancestrais, estão nos visitando novamente, e como uma "breaking news" trazendo-nos a "brand new", talvez por Miguel, talvez o próprio mensageiro Gabriel, talvez, o médico Rafael, talvez o nosso escudeiro Custódio, vindo nos dizer, agora: "come da Sabedoria, e bebe da Água do Amor, para recuperar suas forças, e volte para a casa, todos estão te esperando porque estamos sedentos de amor por você":
"Não temas, Sião,
não te deixes levar pelo desânimo!
17 O Senhor, teu Deus, está no meio de ti,
o valente guerreiro que te salva;
ele exultará de alegria por ti,
movido por amor;
exultará por ti, entre louvores,
18a como nos dias de festa" (Sf 3,16-18a - Liturgia Missal 3ª Domingo do Advento - Ano C - Ímpar - 15 dez. 2024).
É tanta alegria, que não param de exultarem:
4 Alegrai-vos sempre no Senhor;
eu repito, alegrai-vos.
5Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens!
O Senhor está próximo!
6Não vos inquieteis com coisa alguma,
mas apresentai as vossas necessidades a Deus,
em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças.
7E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento,
guardará os vossos corações e pensamento
em Cristo Jesus (Fl 4,4-7 - Liturgia Missal 3ª Domingo do Advento - Ano C - Ímpar - 15 dez. 2024).
E todos pela alegria da tua volta, cantam no Universo inteiro:
R. Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!
2Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; *
o Senhor é minha força, meu louvor e salvação.
3Com alegria bebereis no manancial da salvação, *
4e direis naquele dia: "Dai louvores ao Senhor. R.
invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, *
entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime. R.
5Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos,*
publicai em toda a terra suas grandes maravilhas!
6Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,*
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!' R.(Is 12,2-3.4bcd.5-6 - Liturgia Missal 3ª Domingo do Advento - Ano C - Ímpar - 15 dez. 2024).
Conclusão:
Assim, o pão que comemos no breakfast do 3º Domingo do Advento, nos convida para nos recolhermos na Vila da Boa Esperança, mas, para isso, precisamos estarmos de pé, recobrar nossos ânimos, e ter força para reconhecer o nosso lugar verdadeiro, voltar para o lugar de onde caímos, de antes de sermos enganados, no equilíbrio do justo, porque olhando nos teus olhos, sob as nuvens, eu vejo inigualável beleza, que me encanta "pra não ser mais, preciso ver, como a mensagem do Espírito cantada por Zé Geraldo:
Semeando primaveras
Que não tardam florescer.
Acumulando uma força invisível
Num processo irreversível
Pra não ser mais, preciso ver. (Estradas, 1979).
Referências.
ZÉ GERALDO. Reciclagem, São Paulo, Sony Music, 1979. Disponível em https://youtu.be/4yv-tT92MoA

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